A internet engorda?

Não há como negar. A obesidade infantil é um problema sério e já pegou em cheio as crianças brasileiras. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1 a cada 3 crianças entre 5 e 9 anos de idade estão fora de peso no país. Na faixa etária entre 10 e 19 anos, 1 em cada 5 adolescentes pesam acima do que deveriam.

Uma série de fatores justifica esse número: genética, saúde e hábitos da mãe na época da gravidez, além do ambiente externo em que se vive. E aí entram aquelas horas intermináveis em frente ao computador.

“O fato de navegar na internet não engorda. O ruim é quando a criança está na frente da tela dispensando um tempo que poderia ser dedicado à atividade física”, alerta o médico Mauro Fisberg, do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Soma-se a isso ainda a ingestão de alimentos nada nutritivos nesse momento. “As crianças pegam qualquer coisa que não requeira muito trabalho, em geral, alimentos industrializados não adequados”, lembra o nutrólogo Carlos Alberto de Almeida, da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

E aí o resultado da equação é inevitável: excesso de consumo de calorias com pouco gasto calórico resulta em quilos a mais acumulado no corpo.

Mas dá, sim, para sair dessa bola de neve, mesmo permitindo que o seu filho continue a navegar. Veja o que os especialistas consultados por Disney Babble recomendam:

– Planeje as refeições
Fazer de 5 a 6 refeições por dia, começando pelo café da manhã, é fundamental. Mesmo que a criança não esteja com a balança em dia, essa é a quantidade recomendada. “Lembre-se de reduzir o açúcar e a gordura para não dar maior chance ao ganho de peso”, alerta a endocrinologista Cintia Cercato, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

– Faça compras saudáveis
Ter o chocolate, as balas, os biscoitos recheados e o salgadinho de pacote no armário só vai aumentar a chance de seu filho pegá-los e consumi-los enquanto está no computador. Pior: distraído com o jogo, a chance de ele comer uma quantidade extra é muito maior. Para não ter esse risco, evite comprar tais produtos com frequência.

– Combine o tempo de tela
Não dá para proibir de vez e fazer com que seu filho se afaste do computador ou da TV. Afinal, as telas já fazem parte da vida das crianças. O ideal então é combinar um limite diário para a brincadeira eletrônica. A Sociedade Americana de Pediatria recomenda, no máximo, 2 horas ao dia e aí incluem-se videogame, computador, celular, tablet e TV.

– Ofereça um lanche no meio da tarde
Tenha um horário marcado para o lanche da tarde. Assim, seu filho não ficará um longo tempo sem comer e você reduz os riscos de ele comer qualquer besteira. “Nesse intervalo, ofereça uma fruta mais um laticínio e um carboidrato”, sugere o nutrólogo Carlos Alberto de Almeida. São boas opções: bolacha de água e sal + iogurte + fruta; vitamina de frutas + pão com margarina; pão de queijo + queijo branco + suco de laranja. Lembre-se: nada de exagero.

– Refeições na mesa
Nada de oferecer o lanche da tarde, assim como qualquer outra refeição, enquanto o pequeno está no computador. Nessa hora, você precisa levá-lo para a mesa e fazê-lo comer sem qualquer distração.

– Estimule a prática de atividades físicas
O ideal é que toda criança faça qualquer tipo de atividade física, pelo menos, 30 minutos por dia. Que tal propor uma troca? Combine com seu filhote que ele pode ficar 2 horas no computador se topar ir e voltar a pé da escola (isso já é uma atividade física). Ou então andar 30 minutos de skate ou bicicleta na rua, na praça ou no condomínio mesmo.

– Proponha jogos ativos
“Hoje existem jogos de videogame e de computador em que a criança precisa se movimentar o tempo todo. Proponha que ela brinque dessa forma, pelo menos, meia hora por dia”, orienta Carlos Alberto de Almeida. Pronto! A atividade física está feita!

– Hidratação sempre!
Enquanto seu filho está no computador ou assistindo ao seu programa favorito, fique de olho para mantê-lo hidratado. Muitas vezes quando distraída, a criança esquece-se de beber água. Uma ideia é manter uma garrafinha cheia ao seu lado, à disposição. Sucos também podem ser oferecidos de vez em quando. Porém, nada de bebidas prontas e açucaradas. Prefira os sucos naturais! “Por dia, uma criança não deve consumir mais do que 6 colheres (chá) de açúcar. Mas lembre-se que não estamos falando só daquele açúcar que você coloca nas preparações, mas também o que já existe em qualquer produto industrializado”, salienta Cintia Cercato.

– Planeje as refeições
Uma criança, sendo obesa ou não, precisa alimentar-se com frutas e verduras. Planeje um cardápio com 2 a 3 porções de lácteos ao dia e 5 porções de frutas e verduras.

– Não se deixe levar pela aparência
Não é porque seu filho não mostra sinais visíveis a seus olhos de que está gordinho que os cuidados com a alimentação e atividade física devem ser deixados de lado. Quando as gordurinhas se tornarem evidentes, é porque a situação já passou dos limites. “Não espere o peso aparecer. O mais seguro sempre é acatar a avaliação do pediatra, que compara a evolução do ganho de peso”, orienta Mauro Fisberg.

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